E não era prostituta, mas não costumava brincar em serviço. Eu já a conhecia. O problema é que – depois, arrumou um cara que me odiava. Ora, eu nunca fizera nada, mas ele vivia me aporrinhando. E tinha a vida dela. Só quando se aborrecia, é que me procurava. Nessas horas, eu me fazia de leso, e deixava a porta aberta, só para ele assistir. Ela não achava isso muito legal, mas – forçada pelas circunstâncias, acabava cedendo.
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quinta-feira, 19 de agosto de 2010
E
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Aurora
Passada a hora, ei-la... “A vida é nítida como um grito de pássaro”, diz o poeta, mas ela nem liga para isso. Ela é o poema, que a noite inverteu. Aprisionado, concluí que sem mim não velariam direito a Rosa, escapada à manhã. Sem o sol, velejariam, mas sem direção. Por isso, fiz descer a noite, e – antes que Aurora dormisse, dominei a calmaria e encalhei nas coxas, que ardiam.
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