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sábado, 30 de janeiro de 2010

M V

Poderia ficar para depois a quinta história, mas, porque M insistisse para que eu a aprontasse logo, e - como sempre acabo atendendo a seus apelos, comecei rabiscando o que não queria até que surgisse coisa pior. M resolvera não estar comigo, mas, mesmo à distância, nunca, como dessa vez, sua presença fora tão forte ali. Por experiência, eu sabia que M me espreitava, curiosa, pelas brechas da cortina, ávida pelo que poderia vir. Eu não tinha medo dos rompantes da mulher, mas, quando ela surgiu, pronta para o ataque, foi então que compreendi: M era louca por mim.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Chuva

A chuva convidava. Sempre por perto, insistia, mas nunca atendêramos seus apelos. Vez em quando, madrugada, janela adentro, acordava-nos, encharcando-nos os pés. Fingíamos ignorá-la, mas ela não desistia. Naquela noite, como ninguém a entendesse, apelou ao vento, e - juntos, derrubaram nossos sonhos.