À primeira vista me pareceu distante. E estava mesmo, tanto que nem ligou para mim. Falava alto, lidando com várias pessoas. Não tinha, porém, como se esconder, e – para onde fosse, lá estava eu, que acabei ficando por ali. Salustiana bem que tentou se livrar de mim, mas – quando deu por si, estava ao telefone, me chamando de maluco. Dei pouca importância ao que disse, e – na outra semana, tomava café com o marido dela. Salustiana levou um susto, e – para não disfarçar, correu ao quarto, mudou a roupa e penteou o cabelo. À noite, levou outro susto.
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
Salustiana III
Salustiana II
Naquela tarde-noite, não conseguia falar com Salustiana. Já passara diversas vezes em frente à casa dela, sem coragem de entrar, o saguão comprido, silêncio e solidão, e nada mais. Telefonei para a filha, que não sabia da mãe. Tempo depois, Salustiana em minha direção. Vinha preparada, certeza nos olhos, sedução no caminhar. Passou por mim semi-despercebida. Segui-lhe à distância, chegando-lhe quase tocar. O encontro acertou nossos passos, e – em poucas palavras, nosso destino. Lá dentro, Salustiana era bem diferente daquela.
Salustiana
Amo Salustiana. Desde que nos demos, ela domina. Quer – insaciavelmente. Sobe minhas entranhas e se materializa. Sou o que Salustiana deseja: manga do quintal, silêncio da manhã, rua sem ninguém. Agora é Salustiana quem dita as regras. Ela que escreve, determina. Tudo que faço, foi feito por ela. Ela experimenta minhas roupas, aquece os lençóis da cama, e se abre, deixando-se pentear... Todinha. Só por mim.
Naza
As folgas de fim de ano deixavam-no seco. E nem mesmo o vinho, que costumava beber nessa ocasião, conseguia lhe reestruturar o ânimo. Quando sozinho, torcia para que não o incomodassem. Se tocarem a campainha, não atendo – pensava, prevenindo-se. Assim, tenho mais tempo para me preparar – dizia, já caminhando para o final da história, momento de insatisfação. Naza, conhecida há duas semanas no ônibus, aumentava-lhe o tédio.
Gleiciany
Quando Gleiciany e a mãe vieram morar comigo, ela acabara de nascer. Em casa, eu mantinha apenas roupas e uma espingarda muito antiga. A mãe de Gleiciany – notava-se, já fora bonita, mas, devido às circunstâncias, era esquálida figura. Eu não as convidara. Elas me descobriram e vieram. Na portaria, perguntaram por mim. Lá em cima, chegou-me o recado: subiam. Tive pouco tempo: tranquei a porta, e – de lá, não consigo mais sair.
Flaviana
Foi pelo entregador de panfletos, que conheci Flaviana, na parada de ônibus. De súbito, não a vi, mas pude sentir a presença dela, ali. Virei o papel, e – semi-nua, pedalava – saudável e sensual, a bicicleta ergométrica, sorrindo, me convidando para adquirir o aparelho. Dizia, que, fazendo assim, recuperaria a saúde e ainda teria alguns anos a mais. Apresentei Flaviana à mulher que me acompanhava, e – discretamente, marquei nosso primeiro encontro.
